A Culpa Não é Do Gato! Esclarecendo sobre a Esporotricose!

Compartilhe a matéria

A REMCA, preocupada com as informações equivocadas que vem sendo irresponsavelmente veiculadas sobre a esporotricose e os meios de contagio da doença, buscou esclarecimentos de quem realmente entende do assunto. Em entrevista com a Dra Cila Luz, da Clinica Pet Tep em Lauro de Freitas, a experiente Médica Veterinária, Pós-graduada em Clínica Médica de Pequenos Animais nos esclareceu sobre todos esses assuntos: Vejam:

Por Dra. Cila Luz, Médica Veterinária, Pós-graduada em Clínica Médica de Pequenos Animais – Tel. (71) 9 9729-7397

  1. REMCA: Do que se trata a esporotricose?

Dra Cila Luz: A Esporotricose é uma doença fúngica que acomete pessoas, cães, gatos e alguns animais silvestres. O Sporothrix é o agente causador e como uma doença fúngica é uma espécie de fungo, ele é frequente em locais quentes e úmidos.

  1. REMCA: Quais as formas de se contrair a doença?

Dra Cila Luz: O Sporothrix originalmente encontra-se instalado no meio ambiente em meio à vegetação como troncos de árvores, restos vegetais, matéria viva em decomposição, podendo ser adquirido através de ferimentos com contaminação do material que contenha esse fungo. Por isso a esporotricose também é conhecida como ‘doença dos jardineiros’, pois estes se contaminavam através do manuseio de plantas como rosas e do solo contaminado.

Logo, existem muitas fontes de contágio e não apenas por meio de um gato contaminado. Eles costumam ser mais susceptíveis do que pessoas e cães, e aumentam as possibilidades de transmissão porque, quando estão doentes, podem carrear o fungo não só na pele, mas em secreções respiratórias também, o que ajuda a disseminar mais facilmente a doença entre eles.

  1. REMCA: O simples contato com gatos leva a contrair a doença?

Dra. Cila Luz: Somente gatos com esporotricose são capazes de transmitir esporotricose. E esse diagnóstico deve ser realizado especificamente pelo profissional de saúde capacitado para isso. E ainda, a suspeita clinica deve ser confirmada através de exames laboratoriais. Até mesmo porque, na nossa região temos muitas outras doenças com capacidade zoonotica, ou seja, de transmissão do animal para o homem, com características semelhantes, como as dermatofitoses. Sendo assim, precisamos esclarecer que nem toda lesão de pele é esporotricose. Mesmo se você e seu animal apresentarem lesões semelhantes, isso não quer dizer que seja esporotricose.

REMCA: 4. O que fazer se aparecerem sintomas no animal ou no humano?

Dra. Cila Luz: Caso apareçam sintomas similares aos causados por fungos procure um profissional da área da saúde para o seu diagnostico e tratamento, e também um médico-veterinario para o seu animal.

8- REMCA: Todos os gatos transmitem a doença?

Dra. Cila Luz: Gatos são vitimas como as pessoas, e eles costumam adquirir a doença com uma maior gravidade, até mesmo porque uma parte desses animais podem possuir outras doenças concomitantes que são debilitantes do sistema imune como as conhecidas FIV( Imunodeficiência felina) e FELV (Leucemia viral felina) . Em geral a população de risco são animais em situação de rua, subnutridos, não esterilizados, não vacinados, que estão expostos a traumas por brigas e ao solo contaminado. Além disso, gatos adquirem as cepas de maior agressividade enquanto pessoas e cães, as cepas de mais baixa virulência. (Fonte: Sociedade Brasileira de Dermatologia).

Remca: A esporotricose tem cura?

Dra. Cila Luz: Esporotricose tem cura, esporotricose tem tratamento. O medico humano e o medico veterinário saberão como tratar seu paciente de acordo com cada caso e após os exames laboratoriais necessários.

REMCA: Como prevenir a doença?

Dra. Cila Luz: Segundo a própria sociedade brasileira de dermatologia “a esporotricose é considerada uma doença negligenciada e um problema de saúde publica, da falta de medicação gratuita para o tratamento, tanto em humanos quanto em animais, e do desconhecimento da população sobre as medidas de controle. o gato não é o vilão. na verdade é a maior vitima da doença. ( Fonte: SBD.org.br).
Faz-se necessário um trabalho de esclarecimento à população sobre os cuidados de prevenção e de tratamento, bem como ação do poder público para prevenir e controlar a doença.

A prevenção consiste em cuidados pessoais de manuseio de solo, com uso de luvas, higienizar com água e sabão imediato a qualquer ferimento. Em caso de suspeita de animais contaminados comunicar ao Centro de Zoonose da sua cidade, se o seu animal apresenta lesão de pele, levá-lo ao veterinário e se você apresenta qualquer lesão, procure o posto de saúde mais próximo.

Uma dica também para essa questão e para muitas outras, é buscar manter o seu animal em sua residência, livre do contato com locais contaminados, bem como de ações inadequadas de alguns humanos que desconhecem sobre a doença e sobre as leis de proteção animal.

REMCA: Qual o seu recado para nossos munícipes laurofreitenses?

Dra Cila Luz: Gatos já são vitimas reais do descuido da nossa sociedade, lutemos por estes serem inocentes contra o abandono, o descaso, o mau-trato. Eles merecem dignidade de vida, merecem políticas de esterilização, vacinação e cuidados para que não se tornem veículos de doenças para eles mesmos e para os seres humanos.

A REMCA agradece a Dra Cila Luz, profissional dedicada à saúde dos animais e sempre parceira da Causa Animal.

remca

laurodefreitas

esporotricose

aculpanãoédogato

Lei1618/16

políticapúblicajá

gatoéamor

conheçaantesdejulgar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *